Antropologia Cultural e America Latina


Por Fernando Corrêa Pinto


Por mais que existam diversas classes de estudos que se ocupam em analisar as características biológicas, culturais e sociais dos seres humanos, me ocuparem nessas poucas linhas em focar nos aspectos culturais. 
A ciência que se dedica em compreender os conteúdos relacionados ao homem é chamada de antropologia. A palavra Antropologia deriva do original grego άνθρωπος – anthropos, que em português é traduzido por homem e λόγος (logos) que em um sentido filosófico seria um pensamento ou tratado acerca de algo. Focando resumidamente na antropologia cultural os aspectos tratados neste texto serão direcionadas a observação do comportamento, crenças e sistemas simbólicos do homem.
Apesar de não ser fácil definir cultura é possível apresentá-la de forma simplificada como sendo os aspectos de uma realidade social e do conhecimento de idéias e crenças de um povo. Neste sentido é primordial definir alguns termos que serão importantes para a compreensão do estudo cultural em vários níveis.
A cultura chamada de material tem relação com coisas concretas, que foram criadas pelo ser humano como, por exemplo, roupas, arco e flechas, vasos, talheres e etc. Já a Cultura imaterial são elementos não concretos da cultura como valores, hábitos, crenças, significados e etc. A cultura real pode ser percebida em parte, considerando que ela representa aquilo que todos os membros de uma sociedade praticam ou pensam nas suas tarefas diárias. O conceito de cultura ideal é o conjunto de comportamentos que reflete uma perfeição que normalmente não são seguidas por grande parte dos membros da cultura. Outros conceitos que também são importantes mencionar é o conceito de Raça. Está palavra tem sido usada para fazer referencia a indivíduos que pertencem a um determinado grupo. A palavra etnia faz referencia a seres humanos unidos por um fator comum como, língua, religião, costumes, valores, nacionalidade, vínculos culturais e históricos.

Talvez um dos fatos mais importantes referente à abertura para uma mescla cultural no mundo tenha sido a chegada de Colombo nas America. Hoje temos algumas recentes pesquisas arqueológicas que encontraram vestígios que por volta do ano 1000 vikingns passaram por esse continente. Alguns pesquisadores também defendem que um almirante chinês tenha chegado nesta terra por volta de 1421. Contudo a colonização de fato da America veio com a chegada de Colombo. Além da importância de ligar os dois continentes ele também foi importante na comprovação da teoria de que a terra era esférica. Sua primeira chegada foi em 1492, todavia somente em sua terceira viagem em 1498 que ele alcançou terra firma e desta forma motivou a coragem de outros navegadores que viriam depois dele.    
As histórias contadas dos povos europeus e seus corajosos desbravadores dos mares são bem conhecidos. Não desejo menosprezar a temeridade deles, mas quero neste momento olhar para o povo que foi encontrado. Os mexicas ou astecas como eram tratados por parte dos colonos possuíam uma cultura impar, brava e elegante, além da sua grandeza populacional. Esse povo ocupou a mesoamerica por volta do séc XVII. Foi um povo guerreiro e com grande conhecimento científico principalmente no estudo do céu. Eles organizaram a área urbana de sua região a ponto de construir cidades com uma rica estrutura de irrigação onde também eram utilizadas para se locomover. As pirâmides talvez tenham sido a marca Asteca que a maioria das pessoas que sabem desse povo tenha conhecimento. Foram cerca de 25 templos em forma de pirâmides que imitavam as imensas montanhas que cercavam aquela região. Esses templos foram construídos para provocar medo e respeito ao povo. Eles faziam rituais de sacrifício humano no topo destas pirâmides. Esse povo também nos deixou uma herança cultural suculenta. Eles foram os primeiros a cultivar milhos e criar receitas com esse alimento. Também foram os primeiros a descobrirem os chocolates. Além disso, temos também o feijão, tomate, abobora e pimentas de diversos tipos. Eles gostavam de insetos também.
Nas guerras eles costumavam usar mascaras que representavam os seus deuses e causavam assombro nos inimigos. Eles também combinavam desenhos para representar uma grafia. Eles não desenvolveram um alfabeto, mas utilizaram bastante o desenho, a poesia e a musica. Além desta riqueza cultural os astecas também possuíam escolas publicas para ensinar sobre a cultura, matemática e religião. O fim do império se deu em 1519 com a dominação espanhola lideram por Hernán Cortés vencendo uma batalha de dois anos contra o nativo Montezuma. Após esse momento surge uma cultura mesclada entre a Espanhola e a dos nativos Astecas que originou o povo mexicano.
A colonização espanhola da America do Sul deu seguimento respeitando o Tratado de Tordesilhas assinado entre o reino de Portugal e Espanha. Esse tratado dividia as terras da America do Sul em parte para Portugal e parte para Espanha. Os Astecas bem como os Maias que se situavam em parte da conhecida hoje Guatemala de hoje, haviam sido enfraquecidas, suas culturas mescladas e muitos mortos em conflitos. Diante disto os espanhóis seguiram em missão de colonização pelos territórios da America do Sul e Central. Consigo traziam também doenças como a gripe e varíola, além de fazer os nativos trabalharem até a morte, isso ajudou dizimar a população local. Com a escassez de mão de obra escravos começaram a ser trazidos da África principalmente com a ajuda dos Portugueses que em 1500 havia chagado ao Brasil. 
O encontro entre as culturas de Portugal e dos nativos brasileiros seguiu caminhos parecidos, apesar do ambiente local não apresentar tanta hostilidade ritualística como os Astecas os portugueses certamente encontraram dificuldades para estabelecer a sua colônia neste território. Muitos dizem que a partir deste momento o Brasil passou a existir. Contudo é mais seguro afirmar que ele passou a existir no momento em que contatos afastados por milhares de anos acontecerem neste solo. Os indígenas certamente não foram mais os mesmos e os portugueses da mesma forma. 22 de abril de 1500 os portugueses chegaram à ilha de Vera Cruz. Essa história já ouviu bastante, mas e os nativos? Como chegaram aqui? Para buscar essa resposta que fascina a muitos, primeiro precisamos entender que aparentemente a vida se originou na África. A colonização não começou aqui, antes de chegarem nesta terra a milhares de anos atrás os humanos em seu estilo de vida nômade seguiram para o norte da África atravessando montanhas e rios passando pela Europa e se espalhando por esse continente. A ida do homem para as Américas continua sendo um mistério para os pesquisadores, existem varias teorias, desde uma ponte de terra que surgiu no mar na idade do gelo, até a teoria do estreito de Bering que ligava a Europa a America pelas terras da atual Rússia e Alasca. Não podemos afirmar qual teoria está correta, mas podemos afirmar que homens chegaram às Américas e habitaram aqui antes de se reencontrarem no descobrimento. Por que afirmar que foi um reencontro? Porque esses continentes se juntaram no descobrimento, mas há milhares de anos atrás faziam parte de um mesmo povo, mesmo que as tribos americanas houvessem perdido suas origens. Sabemos, por meio de registros de pinturas nas rochas, que o homem transitou pela America em diversas regiões. Um ultima e interessante descoberta em Minas Gerais foi o fóssil chamado de Luzia. Os arqueólogos entendem que esse fóssil possui mais de 10 mil anos. Esses milênios de separação criaram diferenças culturais, lingüísticas e fenotípicas. A Europa a Ásia e a África por estar em um bloco não separado por águas se comunicavam e acabaram evoluindo em diversas questões, entretanto a America acabou ficando isolada e não teve acesso aos avanços culturais e tecnológicos desenvolvidos nestes três continentes. Para muitos a chegada dos portugueses no Brasil foi algo negativo, mas pensado que este povo estava isolado do resto do mundo podemos defender a idéia que a chegada dos portugueses aqui foi uma ótima oportunidade para que essa ligação cultural se estabelecesse. Os nativos, por exemplo, não conheciam animais como cachorro, que tanto ajudam as tribos até hoje, cavalo e galinha. Pensamos sempre que essa junção foi negativa, mas é certo afirmar que os índios que se aliaram aos portugueses desfrutaram também da proteção contra tribos violentas que havia naquela terra. Essas tribos viviam em guerras permanentes e muitos não se aceitavam. O contato com os indígenas foi feito por meio de troca. O Pau Brasil era uma madeira abundante lá e sem valor para os nativos e os portugueses ofereciam itens que eram inexistentes no continente americano como espelhos e a roda. Precisamos pensar que em um ponto de vista macro os Brasileiros culturalmente não receberam a influencia somente dos portugueses na colonização, pois os portugueses já eram uma mescla de culturas, como o exemplo a união Ibérica. Com o passar do tempo com a vinda dos Africanos o Brasil passou a ser uma mescla ainda maior de raças e cultura. O tempo passou e os portugueses foram se diferenciando cada vez mais dos portugueses de Portugal em todos os quesitos. Sugiram outras raças como os Caboclo = branco + índio, Mulato = negro + branco, Cafuzo = índio + negro. É importante também mencionar que os índios que aqui vivam possuíam uma variedade de etnias e não era um povo unificado. Eles normalmente viviam da pesca da caça e da agricultura de subsistência e em sua maioria eram semi nômades, mudavam de acordo com a escassez dos recursos naturais. Estes nativos costumavam morar juntos em Ocas ou casas de tamanhos variados. Estes realizavam diversos tipos de atividades diárias desde danças até ritos conduzidos por um pajé ou ancião. Os vínculos estabelecidos entre as aldeias eram com finalidades comerciais, para casamento, alianças e por meio de guerras que eram comuns entre as sociedades indígenas. Alguns eram poligâmicos e o divórcio era algo corriqueiro. Os homens eram responsáveis pela liderança da tribo, caça guerra, plantio e construção tribal. As mulheres cuidavam da colheita, preparação de alimentos, confecção de utensílios. A educação das crianças era tarefa de todos. Os doentes e inválidos eram abandonados até a morte. O costume de pintar os corpos era em ocasiões especiais. Em sua religião eram politeístas. Eles tinham na figura do pajé a ligação do homem com os deuses e antepassados que poderiam se comunicar por meio de sonhos, visões e animais. Também utilizavam bebidas e fumos alucinógenos em seus rituais. Eram orientados pelas fazes da lua e conhecimento astronômico para realização de seu plantio e colheita. Apesar de não desenvolveram um sistema de escrita eles deixaram pinturas em pedra que podem nos falar sobre o seu modo de vida e produção artística. Elas falavam de sua dança, tecelagem, cerâmica, cestaria, pintura corporal, arte de pluma e música. Na chegada dos colonos em 1500 cerca de mais de 5 milhões de indivíduos foram encontrados, divididos em tribos e comunidades, todavia aos olhos dos portugueses todos eram iguais. Em poucos séculos foram reduzidos a pouco mais de 600 mil. Muito destas mortes apesar de serem causadas por conflitos entre os indígenas e portugueses uma arma letal que os colonos tinham eram doenças. A varíola e gripe mataram muitos índios. Atualmente temos diversos indígenas no Brasil, muitos vivendo com a sua cultura inicial modificada e alguns mais isolados vivendo como seus ancestrais.
Uma breve passada pelas principais culturas da America Latina e suas modificações podem nos ajudar a descobrir muito sobre cada um de nós e até dos cenários culturais atuais. Perceber que da mesma forma que o povo europeu, asiático e africano sofreu diversas mudanças com os diversos conflitos de igual forma foi na America Latina. O produto da formação cultural de um povo passa por diversos dramas e conquistas até chegar ao produto que temos hoje. Certamente a modificação cultural está em constante avanço e não sabemos até onde poderemos chegar. Essa pequena pesquisa ainda poderia ser acrescida de muitos fatos, contudo aqui procurei destacar aquilo que julguei mais importante para o conhecimento cultural destes povos 

Referências

RESENDE. Priscila, Introdução aos estudos antropológicos, material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.A.
HOLANDA, Sergio Buarque, Raizes do Brasil, Companhinha das Letras, São Paulo, 1995.  
Brasil Paralelo, Vila Rica https://www.youtube.com/watch?v=svViHH8IBVg&t=863s acessado dia 4/02/2019
MARRIOTT, Emma, História do Mundo para quem tem pressa, Valentina, Rio de Janeiro, 2018.
             



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